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    January 31

    "Eu Sei" da Sara Tavares

    EU SEI
     
     
     
    (Sara Tavares)
     
     
    Se eu voar sem saber onde vou
    se eu andar sem conhecer quem sou
    se eu falar e a voz soar com a amanhã
    eu sei...


    se eu beber dessa luz que apaga
    a noite em mim
    e se um dia eu disser
    que já não quero estar aqui
    só Deus sabe o que virá
    só Deus sabe o que será
    não há outro que conhece
    tudo o que acontece em mim

    se a tristeza é mais profunda que a dor
    se este dia já não tem sabor
    e no pensar que tudo isto já pensei
    eu sei...

    se eu beber dessa luz que apaga
    a noite em mim
    e se um dia eu disser
    que já não quero estar aqui
    só Deus sabe o que virá
    só Deus sabe o que será
    não há outro que conhece
    tudo o que acontece em mim


    se eu beber dessa luz que apaga
    a noite em mim
    e se um dia eu disser
    que já não quero estar aqui
    na incerteza de saber
    o que fazer, o que querer
    mesmo sem nunca pensar
    que um dia o vá expressar
    não há outro que conhece
    tudo o que acontece em mim
    January 30

    Mover objectos com o pensamento

     

    "Penso, logo controlo". É com esta provocação que o investigador João Paulo Cunha , da Universidade de Aveiro, assinala o 10º aniversário do grupo de Sistemas de Informação na área da Saúde com experiências em que, com a força do pensamento podemos fazer um robot andar. Ficção científica não será. Realidade? Sim, quando e como?

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    Poderá o nosso cérebro controlar um computador? Foi esta a pergunta que João Paulo Cunha,investigador do Instituto de Engenharia Electrónica e telemática da Universidade de Aveiro (IEETA), deixou no ar do primeiro Impaciências deste ano da Fábrica Ciência Viva, em Aveiro.

    O grupo do qual João Paulo Cunha faz parte tem uma sigla que faz lembrar qualquer agência de informações secretas: SIAS, que serve para Sistemas de Informação na área da Saúde e que,no passado dia 29 de Setembro, comemorou o seu 10º aniversário. João Paulo Cunha foi, aliás, o seu criador em 1997 e é hoje o seu líder.

    Foi no espaço quase cénico e à meia-luz da sala de café da Fábrica Ciência Viva que o engenheiro falou,com boa disposição, de alguns dos projectos em que trabalha o seu grupo de investigação.

    Brain Imaging , computação móvel, telemedicina são algumas das áreas fortes de investigação do SIAS.

    Hoje em dia sabemos que o sistema nervoso serve essencialmente para gestão de informação. Se a neurociência teórica nos dá a informação sobre como as componentes que constituem o nosso cérebro interagem, dando-nos uma visão mecanicista e funcional, a ciência computacional ajuda-nos a perceber como são extraídos, processados e aplicados sinais vindos do cérebro.

    Mover objectos e comunicar através do pensamento

    Como usar o electroencefalograma para controlar o nosso pensamento e desencadear acções? A resposta a esta pergunta pode resultar em aplicações como cadeiras de roda, próteses neuromotoras e até para fazer os aviões-caça dispararem apenas com a força do pensamento, ou seja, sem trigger.

    Por outras palavras, o grupo liderado por João Paulo Cunha,entre outras coisas, está a trabalhar em projectos cuja ideia de base vem da ficção científica: usar a força do pensamento para fazer mover objectos ou para comunicar.

    Para os mais cépticos, o investigador mostra o vídeo que registou a experiência realizada no IETTA. Um operador tem eléctrodos ligados à zona do cérebro que corresponde ao córtex motor (sulco central). Esses eléctrodos, por sua vez, estão ligados a um computador, o qual vai processar esses sinais e transmitir as ordens dadas pelo cérebro a um pequeno robot.

    Assim, quando o operador pensa em mover a mão direita, o robot move-se para a direita. Se o operador pensa em mexer a mão esquerda, o robot anda para a esquerda.

    Recorde-se que em 2006, dois estudos publicados na Nature sugeriam que avanços feitos em protética neuromotora poderiam resultar numa forma revolucionária de possibilitar a pessoas com danos cerebrais ou espinhais movimentarem-se, comunicarem e manipularem objectos.

    No primeiro estudo, conduzido por Leigh Hochberg, do Hospital Geral de Massachussetts, e por John Donoghue, da Universidade de Brown, um jovem de 25 anos, paralisado após uma lesão na medula espinal desde há três anos, conseguiu abrir o seu correio electrónico, mudar os canais de uma televisão e fechar a mão protética - tudo com a força do pensamento. Para o conseguir, o jovem teve implantados 96 sensores com eléctrodos na zona do córtex motor. Cada pensamento gerou milhões de sinais neuronais que foram captados pelos sensores, descodificados, processados por um computador e, finalmente, traduzidos em comandos de movimentos.

    O tipo de investigação de que estamos a falar é "obviamente multidisciplinar", envolvendo a neurobiologia, a matemática, a engenharia e até a psicologia, ressalva João Paulo Cunha.

    Para quem quiser experimentar este tipo de tecnologia, a Fábrica do Centro Ciência Viva, de Aveiro, já adquiriu uma bola colorida que miúdos e graúdos poderão fazer mover com a força do seu pensamento.

    Cientistas descobrem método que pode reverter perda de memória

     
    Cientistas canadianos descobriram, acidentalmente, um mecanismo que pode vir a ajudar no tratamento de algumas doenças relaccionadas com a memória, revelou um estudo divulgado ontem pela revista "Annals of Neurology".
     
    cerebro(1)

    A descoberta ocorreu quando os cientistas realizavam uma prospecção cirúrgica no cérebro de um homem de 50 anos numa tentativa de reduzir o seu apetite e neutralizar a sua crescente obesidade.

    Para isso, utilizaram uma técnica já bem conhecida de "estimulação cerebral", na qual são inseridos eléctrodos no cérebro e estimulados certos sectores mediante a descarga de uma pequena carga eléctrica.

    Esta "estimulação cerebral" é aplicada há mais de dez anos para tratar vários transtornos, incluíndo a depressão.

    Mas, em vez de perder o apetite, o homem lembrou-se nitidamente de detalhes de factos ocorridos há mais de 30 anos, e os testes posteriores demonstraram que tinha aumentado de forma considerável a sua capacidade de aprendizagem.

    Doenças

    Segundo os cientistas do Toronto Western Hospital, de Ontário, a técnica começou de imediato a ser aplicada no tratamento de pacientes com Alzheimer, uma doença neurológica progressiva e incurável.

    Segundo Andrés Lozano, professor de neurocirurgia do hospital, esta é a primeira vez que se consegue aumentar o processo da memória de uma pessoa que recebeu eléctrodos no cérebro.

    O médico admitiu que o aumento da capacidade de memória do paciente - com um peso de 190 kg - "apanhou completamente de surpresa" a equipa que participou na operação.

    Segundo Lozano, esta descoberta acidental pode ter importantes implicações positivas no campo da neurocirurgia.

    "A descoberta proporciona-nos um maior conhecimento sobre as estruturas cerebrais associadas à memória. Além disso, permite-nos aplicá-la - como já fizemos - em casos do mal de Parkinson e no tratamento de transtornos emocionais, como a depressão. E poderá, sem dúvida, vir a ter um papel positivo e terapêutico em pessoas com problemas de memória", afirmou.

    Os cientistas disseram que o método de "estimulação cerebral" está a ser utilisado em testes clínicos aplicados a seis pacientes, portadores da  doença de Alzheimer, na Fase I, e três deles já receberam os eléctrodos. Vamos aguardar pelos resultados... 

    Dois tigres à solta na Azambuja

     

    (Actualização da notícia pela TSF às 12:13 de 30 de Janeiro 08 )

    Tigre-fêmea foi sedado

    As autoridades já conseguiram capturar o segundo tigre, uma fêmea, que fugiu do camião do circo Chen e estava a monte na zona da Azambuja, bastante assustada. As autoridades tentaram encaminhar o animal para uma jaula improvisada mas acabaram por optar por sedar o animal.

     

    O tigre que hoje de manhã estava cercado na zona da Azambuja foi sedado cerca das 11:30 depois de várias tentativas para o colocar numa jaula improvisada, confirmou a TSF no local.

    As autoridades estão agora à espera que o animal adormeça para que os seus proprietários, os donos do circo Chen, o coloquem numa jaula.

    Pedro Cardoso, comandante dos bombeiros da Azambuja, explicou que as autoridades decidiram sedar o tigre-fêmea depois de várias tentativas frustradas de o encaminhar para uma jaula improvisada.

    Chen diz que tigres foram libertados de propósito

    Entretanto, o dono do circo Chen, Miguel Chen, afirmou que os dois tigres fugiram por que a jaula foi aberta e quem a abriu, «sabia o que estava a fazer» e «sabia que os animais estavam lá dentro».

    De acordo com o dono do circo Chen, a jaula tem seis portas laterais e uma traseira, todas de «guilhotina para os tigres não conseguirem sair».

    Quando o camião em que seguiam avariou, e foram verificar os animais, «as portas estavam todas abertas e uma estava presa com uma corda».

    «Quem fez isso é alguém que sabe, até porque não é qualquer pessoa que vai mexer em animais destes», acusou.

     
     
     
     
    Lisboa, 30 Jan (Lusa) - Dois tigres estão à solta na Estrada Nacional 3, que liga o Cartaxo ao Carregado, junto à entrada da vila da Azambuja, disse à Lusa fonte da Guarda Nacional Republicana (GNR) local.
     
     
    TIGRE[1]TIGRE[1]
     
     Os tigres terão saído cerca das 06:30 de uma carruagem de transporte de animais do circo Chen que se encontra avariada na estrada, adiantou a fonte.

    A Guarda Nacional Republicana está a tentar contactar o proprietário do circo, tendo sido entretanto chamada ao local a Equipa de Protecção da Natureza e Ambiente (EPNA) da GNR.

    De acordo com a fonte, o trânsito está a fazer-se mais lentamente, enquanto a GNR está atenta à localização dos tigres, tentando evitar que fujam para zonas de mato.

     

    January 29

    Remodelação no governo de José Sócrates

     

    José Sócrates substitui ministro da Saúde e ministra da Cultura
     
    O primeiro-ministro português solicitou, esta terça-feira, ao Presidente da República a exoneração dos ministros da Saúde, Correia de Campos, da ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, e do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomás.
     
    (Notícia TSF às 15:46 de 29 de Janeiro 08)
     
     
    Em substituição, José Sócrates indicou Ana Jorge para a Saúde, José António Pinto Ribeiro para a Cultura e Carlos Lobo para a secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais.

    Ana Jorge, que já terá aceite o convite do primeiro-ministro, dirigia actualmente o serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada, e foi presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, quando a socialista Maria de Belém Roseira era ministra da Saúde, no governo de António Guterres.

    «Acabei de aceitar o convite e só posso dizer que irei tentar levar a bom porto a missão», disse Ana Jorge, citada pela Agência Lusa, acrescentando que acredita na reforma em curso no SNS.

    Por sua vez António Pinto Ribeiro que vai substituir Isabel Pires de Lima na Cultura formou-se nas áreas da Filosofia, Ciências da Comunicação e Estudos Culturais.

    Pinto Ribeiro foi director artístico da Culturgest desde a sua fundação em 1992 até Abril 2004. Foi também consultor do Instituto Camões e actualmente era coordenador com Catarina Vaz Pinto do Programa "Gulbenkian Criatividade e Criação Artística".

    Este responsável desempenhava também o cargo de programador geral da Fundação Gulbenkian para o Fórum Cultural Gustavo do Mundo.

    Pinto Ribeiro questionado pela TSF preferiu neste momento não fazer ainda comentários ao novo lugar que, em princípio, irá assumir.

    Carlos Lobo que vai para a secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais é jurista e trabalha actualmente na Faculdade de Direito de Lisboa.
    January 28

    Sátira aos homens constipados

     
    Por António Lobo Antunes...
     
    constipacao
     

    Pachos na testa, terço na mão,
    Uma botija, chá de limão,
    Zaragatoas, vinho com mel,
    Três aspirinas, creme na pele
    Grito de medo, chamo a mulher.
    Ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer.
    Mede-me a febre, olha-me a goela,
    Cala os miúdos, fecha a janela,
    Não quero canja, nem a salada,
    Ai Lurdes, Lurdes, não fazes nada.
    Se tu sonhasses como eu me sinto,
    Já vejo a morte, nunca te minto,
    Já vejo o inferno, chamas, diabos,
    anjos estranhos, cornos e rabos,
    Vejo demónios nas suas danças
    Tigres sem listas, bodes sem tranças
    Pios de coruja, risos de grilo
    Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
    Não é o pingo de uma torneira,
    Põe-me a Santinha à cabeceira,
    Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
    Pousa o Jesus no cobertor.
    Chama o Doutor, passa a chamada,
    Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
    Faz-me a tisana e o pão de ló,
    Não te levantes que fico só,
    Aqui sózinho a apodrecer,
    Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer!
     

    January 22

    Os escravos do Séc. XXI

     
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    Pessoas passam, incessantemente, para lá e para cá, "stressadas", cabisbaixas, prisioneiras dos seus próprios pensamentos, dos seus problemas. Raras são aquelas que não mantêm um ar preocupado a somar a um andar acelerado. Se encontram alguém sentado com uma aparência calma e descontraída, em pleno horário "de trabalho", pensam: - Que boa vida!
    É incrível como o ser humano está condicionado pela rotina do trabalho que lhe é tradicionalmente imposta. Conformam-se em viver para o pagamento das contas ao final do mês, ficando metade do dia trancafiados no local de trabalho. Conformam-se com essa rotina insana e com a promessa de descanso n'algum futuro longínquo ou com uns poucos dias de férias por ano. Conformam-se se lhes dizem que terão de trabalhar ao domingo ou mesmo 24 horas seguidas, se preciso for...
    Muitos conformam-se em seguir as "estúpidas" regras do Sistema, sem emitir um único ai, auto-justificando-se de que se pararem para pensar, ficam loucos... Será que enlouquecem se pararem ou, ao contrário passam a observar a insanidade que prolifera?
    Mas o engraçado é a frase que socialmente muitos dizem quando alguém morre, depois de ter vendido os seus mais belos dias, em vida, ao Sistema:
    Esse descansou; está bem melhor do que nós!
    Porque aceitam isso?
    Porque aceitam trabalhar com algo que não os alimenta interiormente, que não os leva à excelência de si próprios?
    Porque vendem os mais belos dias de sua existência?
    Porque incorporam essa insana ideia de acumular posses para se sentirem seguros?
    Porque não percebem que quanto mais posses pensam possuir, mais possuídos são por essas posses?
    Pode concluir-se que as pessoas têm medo de parar para pensar..., porque se pararem e pensarem "a corrida desenfreada deixa de fazer sentido".., Correm para quê? Para acumular dinheiro.. para quê? Tentam não pensar que têm, à partida, os dias contados? É "uma fuga" para a frente!?  Andam ocupados para não pensar... e, no fim, olham para trás e o tempo passou... e, o que têm?  Uma, duas, três casas e um carro..., mas os dias que perderam nunca mais os recuperarão!: O mar que deixaram de admirar, já não parece tão belo, o azul celeste que não "beberam", já não encanta porque a vida passou e porque não a viveram!
    Na verdade não vivem a vida que lhes foi oferecida, não entendem essa dádiva! Aceitam apenas e cobardemente, o que lhes é imposto, sem pararem para pensar se era aquilo que queríam fazer das suas vidas..!
    Este tipo de comportamento lembra mais o gado a pastar..., todos iguais... a saírem à mesma hora e a voltarem à mesma hora, para fazer o que os outros querem que eles façam.
    Mas afinal os seres humanos não são seres supostamente racionais? Não são todos diferentes ? Era suposto comportarem-se como "carneiros"?
    Não acham que se deveria estruturar a sociedade à medida das pessoas que nela vivem e não ao contrário?
    Parece-me que, e, felizmente, as gerações que estão a chegar sabem do que eu estou a falar e, de certeza não cometerão os meus erros!
    Espero bem que não!
    January 18

    Casar em Espanha e continuar viúvo/solteiro em Portugal...

     
    São cada vez mais os casais portugueses que procuram as dioceses do outro lado da fronteira para contrair matrimónio. As vantagens são óbvias: Para além de cumprirem "a Lei de Deus", os portugueses que procuram casamento em Espanha ficam a ganhar com os impostos. Com estes privilégios, as listas de espera nas paróquias espanholas não pára de aumentar.

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    Mais do que uma moda, ir casar a Espanha parece ser sobretudo uma forma de "fugir ao fisco" em Portugal. Embora sem números oficiais, já no ano 2000 as dioceses fronteiriças de Vigo, Orense, Astorga, Zamora e Salamanca registaram cerca de quinhentos casamentos de portugueses. Um número cada vez maior vem se registando a cada ano que passa o que obriga a que algumas igrejas próximas da fronteira, tenham filas de espera meses,tal é a procura de um espaço, em território espanhol, para casar.

    Os noivos que optaram pelas igrejas espanholas continuam oficialmente solteiros em Portugal, podendo assim continuar a usufruir de diversos benefícios fiscais e da segurança social. "Em tempos eram só os viúvos que vinham cá casar para não perder o direito a metade da reforma do cônjuge falecido", explicou um padre franciscano, de Vigo. E continuou: "Agora, para além dos viúvos, vêm muitos estudantes que não querem perder bolsas de estudo nem os empréstimos bonificados para a compra de casa". Pela capela dos franciscanos têm passado cada vez mais portugueses que, quase sempre acompanhados só pelos pais e pelos padrinhos, depois do "sim", voltam à terra natal onde têm a família e os amigos à espera para o banquete de casamento. Foi assim que fizeram Tiago e Vitória, dois trabalhadores-estudantes que, perante a lei portuguesa, são "pais solteiros" de um bebé de meses. "Casámos em Vigo apenas para não perder a bolsa de estudo na universidade e para que a Vitória pudesse continuar a pagar o apartamento que comprou com juros bonificados", explicou Tiago, que está agora a terminar a licenciatura em Serviço Social. Contas feitas, juntando os dois ordenados, a soma impedia já a atribuição de qualquer bolsa de estudo e a perda da bonificação na compra da casa que possuem em Leiria.

    Também para "fugir às injustiças da lei", António, de 53 anos, foi casar "ao estrangeiro". "Toda a vida trabalhei e descontei para a segurança social", explicou pacientemente o viúvo que, no segundo casamento, não podia permitir que "o Estado" lhe retirasse a pensão que lhe foi atribuída após a morte da primeira mulher. "É um roubo a quem sempre fez tudo como deve ser", desabafou o reformado que, na soma da pensão de viuvez e de invalidez que recebe mensalmente, não atinge sequer os cinquenta contos.

    Logo a seguir a Vigo, Zamora e Orense são outras das dioceses mais procuradas para casamentos. Segundo fonte da Diocese de Zamora, os portugueses até nem são exigentes. "Qualquer igreja serve", diz o pároco. E, na falta de uma igreja disponível, são as capelas dos mosteiros e até de algumas quintas privadas que servem de palco para que as noivas "guapas" desfilem até ao altar.
     
    Sem qualquer publicidade e sem nenhuma divulgação oficial, são os próprios noivos que vão "passando a palavra" e evidenciando as "vantagens" de um casamento religioso fora do país.

    A "culpa" é da Concordata
    Em Portugal, a Concordata obriga a que, sempre que se realize um casamento religioso, o mesmo aconteça civilmente. Quando os noivos querem casar "pela Igreja", cabe ao sacerdote que prepara a união religiosa preparar também o casamento civil. Se não o fizer, pode mesmo ser punido com coimas e com uma pena de prisão. Uma situação que nada tem a ver com o que se passa em Espanha. Lá os noivos podem escolher casar só pela Igreja, só pelo Civil ou pelas duas coisas. Com mais facilidades, a Espanha surge como um "paraíso" para quem quer contrair matrimónio e, ao mesmo tempo, continuar com o seu estado civil anterior perante a lei portuguesa.

    E até nem parece dar muito trabalho. Tal como nos casamentos em Portugal, a Igreja espanhola apenas exige que os noivos apresentem uma autorização dos respectivos párocos e uma autorização da Cúria. Depois é só preciso escolher uma igreja, marcar a data e pagar ao padre - agora até a moeda é a mesma!.
     
    O Monsenhor Eduardo de Melo que, na Diocese de Braga, conhece "muitos matrimónios do género", congratula-se com o facto de os homens ficarem "de bem com Deus", enquanto em Portugal os noivos continuam solteiros.
     
    "Se a vida continuar a correr bem, em breve caso pelo Civil", referiu Tiago. Como ele, muitos casais que, com os cursos terminados e já sem bonificação nos juros e com a situação financeira "mais estável", optam por casar pelo Civil e "fazer as pazes" com a lei portuguesa.
    January 17

    Como sobreviver a um acidente de avião...

     
     
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    A queda do avião da Gol, que provocou 155 mortos reforçou o mito de que é practicamente impossível sobreviver a um acidente aéreo. Mas, de acordo com os especialistas em segurança de vôo, isso não é verdade.

    Os avanços tecnológicos dos últimos anos já fazem com que cerca de 90% das colisões de aviões tenham sobreviventes. E as chances de sair vivo deste tipo de acidentes aumentam exponencialmente se alguns cuidados básicos forem levados em conta.

    O professor Ed Galea, da Universidade de Greenwich, em Londres, liderou um estudo que analisou 105 acidentes aéreos e ouviu relatos de mais de 2 mil sobreviventes.

    Ele acredita que estar preparado para uma emergência pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

    "A idéia de que se houver um acidente todos vão morrer vem do facto de que os media nos bombardeiam constantemente com tragédias e não com as histórias com finais felizes", afirma Galea. "Isso é muito perigoso porque faz com as que as pessoas desistam de tomar as medidas que podem aumentar as suas hipóteses de sobrevivência, no caso de um acidente."

    Lugares

    A pesquisa feita pela Universidade de Greenwich mostrou que a maioria dos sobreviventes de acidentes aéreos estava sentada até sete filas de distância da saída de emergência mais próxima.

    Escolher um lugar no corredor - ou quando possível na primeira classe ou classe executiva, onde há menos gente e mais espaço - também facilita a saída do avião, em caso de problemas.

    Mas Galea frisa que mesmo que o passageiro esteja sentado em outra parte do avião, pode tomar algumas precauções simples para aumentar as suas hipóteses de escapar.

    Guia do sobrevivente
     
    - Esteja preparado para uma emergência;
     
    - Escolha lugares no corredor e perto de uma saída de emergência;
     
    - Conte o número de filas até à saída de emergência mais próxima;
     
    - Não tire os sapatos durante pouso e descolagem;
     
    - Lembre-se de como desafivelar o cinto de segurança;
     
    - Em caso de pouso forçado, coloque a cabeça entre as pernas;
     
    - Se sobreviver ao impacto, saia do avião o mais rapidamente possível;
     
    -Nunca infle o colete salva-vidas dentro do avião.

    A primeira delas é contar o número de filas até às saídas de emergência mais próximas e planear o que fazer em caso de acidente. Desta forma, torna-se mais fácil sair do avião mesmo que ele esteja cheio de fumo e os sinais que indicam as saídas de emergência não estejam visíveis.

    Prestar atenção às instruções de emergência e lembrar-se de que os cintos de segurança dos aviões não funcionam como os dos carros - "acontece muitas vezes as pessoas estarem tão nervosas que andem à procura de um botão para desapertar o cinto".

    A pesquisa mostra ainda que a maior parte dos acidentes aéreos acontece durante a descolagem e a aterragem.

    Em vôos de longa distância, quando se passa a noite a bordo, muitas pessoas tiram os sapatos para se sentirem mais confortáveis - durante a descolagem e a aterragem devem estar calçados - em caso de emergência facilita muito a fuga!

     Ed Galea aconselha também que as famílias que viagem sempre juntas tenham o seu próprio plano de emergência - No momento em que ocorre um acidente, o mais comum é que as pessoas tentem reunir os familiares antes de sair do avião, o que pode fazer com que eles fiquem para trás ou tentem ir contra o fluxo dos demais passageiros.

    "A família deve ter sempre um plano. Por exemplo, a mãe pode ficar responsável por levar um dos filhos e o pai, o outro. Eles podem combinar de se dirigir a saídas diferentes ou à mesma. O importante é planear com antecedência o que se vai fazer em caso de emergência", aconselha o especialista.

    Sem sobreviventes

    Apenas um em cada dez acidentes aéreos não tem sobreviventes. Nos demais, a chance de um passageiro sair vivo é de mais de 70%.

    Ed Galea acredita que o acidente envolvendo o avião da Gol na Amazónia encaixa-se na categoria mais perigosa, quando o avião já se encontra em velocidade de cruzeiro e o piloto perde o controlo.

    Para o professor da Universidade de Greenwich, a asa do jacto Legacy - que conseguiu pousar numa base aérea no Pará - pode ter atingido alguma parte fundamental do Boeing, o que teria feito o piloto da Gol perder o controlo do avião. "Quando isso acontece, a velocidade no momento da colisão é muito grande e as chances de sobrevivência são practicamente nulas. Se o piloto ainda tem algum controlo, pode minimizar os danos causados pelo impacto"

    Neste caso, a posição do passageiro no seu lugar pode ser crucial. Colocar a cabeça entre as pernas, como mandam as instruções de segurança, protege tanto os joelhos quanto o crânio e aumenta, consideravelmente, as hipóteses de que o passageiro permaneça consciente e tenha condições de sair do avião rapidamente depois da queda ou do pouso de emergência.

    Mas apesar de defender que todos estes cuidados são essenciais, Ed Galea lembra que o avião ainda é um dos meios de transporte mais seguros e que a chance de um passageiro se ver numa destas situações é mínima.

    Fonte: BBC

    January 16

    Zona de Entrecampos com forte cheiro a gás

     
    Segundo a última informação da TSF o Campo Grande, Saldanha, Praça de Espanha e Avenida João XXI são as zonas definidas pelos Bombeiros como o perímetro das averiguações para determinar a origem do forte cheiro a gás que se tem sentido nas últimas horas em Lisboa.

    Os Bombeiros explicaram que detectaram a presença de gás, mas não de gás natural, embora desconheçam a sua origem. A única certeza é que se trata de um gás e que está a fluir a partir da rede principal de esgotos.
     
    «Não posso afirmar que não há risco, só posso dizer que não é evidente. Temos aparelhos para medir a explosividade e riscos evidentes não há», afirmou o comandante do Regimento dos Sapadores Bombeiros, António Antunes, acrescentando ainda que também não foi detectada toxicidade.

    O Metropolitano de Lisboa encerrou, esta tarde, duas estações, a da Cidade Universitária e a de Entrecampos, por ter sido detectado «um cheiro intenso a gás».

    Entretanto a circulação já foi reestabelecida e encontra-se totalmente «normalizada», após a garantia dada pela Lisboagás de que a substância «não é inflamável» e de que «não existe qualquer perigo para os utentes».

    O edifício da TMN junto à Avenida 05 de Outubro foi entretanto evacuado, mesmo depois da normalidade ter sido reposta nos edifícios do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e n'alguns departamentos da Faculdade de Farmácia, que tinham sido evacuados pela hora de almoço.

    A Protecção Civil garantiu já que a origem está no exterior e não no interior dos edifícios.

    Todos os Hospitais e o Aeroporto de Lisboa foram já contactados, para confirmar que nada foi despejado nos esgotos que pudesse provocar o cheiro semelhante a gás.
     

    Cheias em Moçambique provocam calamidade!

     

    mocambique

     
     
    Cerca de 50 pessoas terão morrido nas cheias que estão a atingir Moçambique e que obrigaram já dezenas de milhares de pessoas a abandonar as suas casas ...
     
    Caia, onde é feita a ligação fluvial do trânsito rodoviário que atravessa a principal estrada do país, ligando o norte ao sul de Moçambique, foi um dos locais onde o nível das águas ultrapassou durante o dia o nível das cheias do ano passado.
     
    Ao ancoradouro de Caia, como informou a agência Lusa, já se chega com bastante dificuldade, tendo a água galgado a estrada nacional em dois pontos (num deles, a água chega ao nível da porta de um veículo todo-o-terreno e está a despedaçar o asfalto).
     
    No local, embarcações estão a colocar enormes blocos de metal para impedir que as águas impeçam por completo a circulação na estrada, interrompendo a ligação rodoviária entre o norte e o sul do país.
    Nas imediações do embarcadouro, o estaleiro que serve as obras de construção da ponte sobre o Zambeze, a cargo das empresas portuguesas Mota Engil e Soares da Costa, está também a enfrentar a subida das águas, que estão muito próximas do ponto mais alto do dique de terra que circunda o local.
     
    Como explicou o director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), Paulo Zucula, "as bacias hidrográficas dos rios Zambeze, Púnguè, Buzi e Save transbordaram, afectando já 85 mil pessoas com as inundações, resultantes das descargas feitas nos últimos dias pela barragem de Cahora Bassa, que nos últimos dias "despejou" na direcção do vale do Zambeze 6.600 metros cúbicos de água por segundo e também das chuvas que têm fustigado o Zimbábue e o Maláwi, países vizinhos de Moçambique.
     
    Ao mesmo tempo, prosseguem as operações de resgate de populações sitiadas, sobretudo em ilhas fluviais, não se sabendo ao certo o número de pessoas que poderão estar ameaçadas.
     
    Em Matilde, uma das ilhas fluviais ameaçada de submersão "nos próximos dois dias", estão cerca de duas mil pessoas que têm que ser resgatadas nas próximas horas.
     
    "As operações vão continuar. Ainda persiste a renitência das pessoas em abandonar os locais inundados, o que nos vai obrigar a reforçar os efectivos policiais e das forças armadas. Teremos n'alguns casos que retirar as populações fazendo uso da força".
     
    Para hoje está prevista a chegada de dois helicópteros com alimentos que poderão, em caso de necessidade, servir para resgate de pessoas - na maioria dos locais afectados pelas cheias só se consegue chegar por via aérea.
     
    De Maputo e da Beira chegam também quatro embarcações cedidas pelos fuzileiros da Marinha moçambicana, que deverão ser reforçadas por mais quatro, disponibilizadas por organizações não-governamentais presentes no terreno.
     
    O governo moçambicano estimou em 20,4 milhões de euros o valor provisório necessário para o início de um plano de emergência de apoio aos afectados pelas inundações e ciclones que ainda se  prevêem venham a atingir Moçambique durante este mês e até ao mês de Março.
     
    A tendência é, no entanto, para uma estabilização - n'alguns pontos mesmo para uma diminuição do nível das águas do rio, já que a Hidroeléctrica de Cahora Bassa tem vindo a reduzir progressivamente as descargas de água.
     
    Fonte: Agência Lusa.
    January 15

    "Lágrima Preta" - Poema de António Gedeão

     
    Poema de Rómulo de Carvalho sob o pseudónimo de António Gedeão
    "Lágrima Preta"
     
    lagrima
     
    Encontrei uma preta
    que estava a chorar
    pedi-lhe uma lágrima
    para analisar
     
    Recolhi a lágrima
    com todo o cuidado
    num tubo de ensaio
    bem esterilizado
     
    Olhei-a de um lado
    do outro e de frente
    tinha um ar de gota
    muito transparente
     
    Mandei vir os ácidos
    as bases e os sais
    as drogas usadas
    em casos que tais
     
    Ensaiei a frio
    experimentei ao lume
    de todas as vezes
    deu-me o qu'é costume
     
    Nem sinais de negro
    nem vestígios de ódio
    água (quase tudo)
    e cloreto de sódio
    January 14

    Companhias de LOW COST crescem em Portugal

    condoreasyjet
     
     

    Lisboa entrou mesmo na rota das companhias low cost (baixo custo). Actualmente operam para a Portela 26 companhias, que apesar de ostentarem o chavão "baixo custo", são entendidas pelos responsáveis da estrutura aeroportuária como "companhias regulares". Ou seja, operam todos os dias, para um ou mais destinos e nos dois sentidos.

     
    Ao início da manhã levantam vôo e ao fim da tarde aterram na capital. Este fenómeno das low cost no aeroporto de Lisboa mas, também no aeroporto do Porto e no de Faro, na Madeira e nos Açores surgiu há cerca de quatro anos, e está a dar os seus frutos.

    A ANA quer incrementar o movimento de companhias low cost na Portela, à semelhança do que se passa nos aeroportos do Porto e de Faro, onde 75% do tráfego é low cost.
     
    Os incentivos que estas companhias recebem traduzem-se na publicidade que a Associação de Turismo de Lisboa e a ANA fazem às suas operações. O director de marketing da Portela diz que "ao abrigo da legislação comunitária não é possível qualquer ajuda financeira às companhias aéreas. Os incentivos são atribuídos em função da abertura de novos destinos e nas contas entram todas as companhias, TAP e PGA, incluídas". 

    Também garantem que estas companhias pagam as mesmas taxas de aterragem, descolagem e estacionamento que as companhias de bandeira; o factor de maior peso que as diferencia, entre outros aspectos a considerar, é o menor tempo de estacionamento na placa do aeroporto (cerca de 25 minutos, apenas), entre uma aterragem e uma nova saída - (este facto assusta um pouco - será que há tempo para tomar as devidas cautelas no sentido de se garantir segurança máxima? Mal há tempo para retirar do avião 150 pessoas e a sua bagagem, abastecer o avião e tornar a fazer entrar outros 150 passageiros e malas..., será que se aperceberão se houver algo errado com o avião? )
     
    Eles dizem que sim. Estas companhias garantem que só funcionam com aviões novos, que necessitam de pouca manutenção e que cumprem as mesmas regras de segurança que qualquer companhia de bandeira. E os portugueses parecem estar convictos disso pois cada vez viajam mais nestas companhias.
     

    Também pudera...

    É um verdadeiro fenómeno os preços que algumas companhias aéreas que operam em Portugal e no estrangeiro estão a praticar. Há casos em que   chega a ser mais barato viajar de avião para o estrangeiro do que dentro do território nacional. Podem conseguir-se verdadeiras pechinchas,         sobretudo se marcarmos as viagens com três meses de antecedência. Quanto mais "em cima da hora" marcarmos as viagens, mais estas nos custarão, podendo neste caso não haver grandes vantagens nesta escolha.

     
    Mas, ATENÇÃO ! Há que não esquecer que a somar aos preços que são divulgados, temos, para além das taxas de aeroporto, a deslocação que
    teremos que fazer do aeroporto secundário onde nos deixarão até ao centro - por exemplo, com a EasyJet em Londres, isso representam 100 Km de distância. Lisboa, como tem o aeroporto no centro da cidade é talvez o destino mais interessante para quem viaja nestas companhias. . mesmo considerando Alcochete como futuro "pouso" das Low Cost.
     
    Também não podemos contar nem com o jornal a bordo nem com refeições incluídas no preço. As refeições são pagas à parte segundo aquilo que se escolher para beber e comer. O seguro de viagem também não está incluído - terá de pagá-lo à parte, se quiser beneficiar dele.
     
    Nas situações em que for necessário apanhar o avião noutra cidade, há que somar também o preço dessa deslocação. Direito a levar mais bagagem
    sim, mas também tem um custo acrescido. Portanto, lembre-se que aos preços divulgados terá que somar todas as parcelas extra.
     
    Ah! Já me esquecia ...
     não chegue atrasado, porque estas companhias não esperam por si.. e, mais, se perder o avião, PERDE também e na totalidade o dinheiro que gastou!
     
    Se ainda assim achar que vale a pena..., FORÇA!

     
     
     
    No site do Leme está disponível uma lista de todas as Companhias Low Cost, a operar em Portugal.

    Explosões em Évora assustam população

     
     

    Duas explosões em Évora, na freguesia da Malagueira, obrigaram as Autoridades,a pedir, às duas empresas que gerem a rede de gás canalizado na cidade, a cortarem o abastecimento na zona onde ocorreram as explosões.  2.500 pessoas estão assim sem gás, à espera da fiscalização à rede, a ser feita "por entidade competente e independente" . O presidente do Município José Ernesto de Oliveira, apesar de frisar que "as autoridades ainda estão a investigar a origem das explosões", explicou que, "para já, a hipótese mais plausível aponta para uma fuga de gás, que se terá propagado aos edifícios através da rede de esgotos.

    Os dois imóveis atingidos pelas explosões, ficam situados em ruas próximas, numa zona conhecida como a antiga Quinta da Vista Alegre. A primeira explosão aconteceu na passada quinta-feira, num salão de cabeleireiro, tendo, nesse incidente, ficado feridas duas pessoas. A segunda explosão deu-se hoje de madrugada, deixando uma família de quatro pessoas desalojada. 

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    January 12

    Greve de Argumentistas ameaça parar a ficção televisiva nos EUA

     

     

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    Ao que parece, a WGA (Writers Guild of America) e a AMPTP (Association of Motion Picture and Television Production) vão reiniciar as negociações do novo contrato que ligará os cerca de 12 mil argumentistas aos estúdios norte-americanos a partir do dia 26. Esta decisão chega no fim da semana em que algumas séries transmitiram o seu último episódio gravado, não tendo nada mais para exibir, como por exemplo “The Office: O Escritório"

    Apesar desta decisão mútua, a greve e as manifestações irão continuar.

    Lembre-se que os argumentistas pediam um aumento de 4 para 8 cêntimos por cada DVD vendido e uma parte dos lucros que os estúdios ganham com a exibição suportada por (muita) publicidade na Internet, bem como o dinheiro das vendas de conteúdos também online, mas as empresas não cediam. Entretanto a WGA desistiu do aumento das vendas dos DVDs e a AMPTP apresentou uma proposta para a partilha de lucros dos conteúdos online, tudo isto tendo acontecido depois do Governador Arnold Schwarzenegger ter sido metido ao barulho.

    Está a decorrer na Internet uma petição de apoio à WGA, que já conta com mais de 55 mil assinaturas, e uma manifestação baseada na acção “Salvem Jericó”, que chegou mesmo a salvar a série da SIC. Desta vez, e em vez de amendoins, está-se a pedir aos apoiantes da WGA que mandem caixas de lápis para as produtoras através do blog UnitedHollywood.com.

    Até agora, estas são as séries que estão com a produção parada:

    • “Donas de Casa Desesperadas” (ABC; SIC e Fox Life)
    • “The Office: O Escritório” (NBC; FX Portugal e TVI)
    • “Dois Homens e Meio” (CBS; RTP)
    • “Back to You” (Fox; inédita em Portugal)
    • “‘Til Death” (Fox; inédita em Portugal)
    • “As Novas Aventuras de Christine” (CBS; Fox Life)
    • “Rules of Engagement” (CBS; inédita em Portugal)
    • “The Big Bang Theory” (CBS; inédita em Portugal)
    • “Carpoolers” (ABC; inédita em Portugal)
    • “How I Met Your Mother” (CBS; inédita em Portugal)
    • “Heroes” (NBC; Fox Portugal e TVI)
    • “K-Ville” (Fox; inédita em Portugal)

    Já “24″ (Fox; RTP2 e Fox Crime), “Lipstick Jungle” (ABC; comprada pela RTP) e “Cashmere Mafia” (CBS) viram as suas estreias suspensas.

    Foi cancelada também a transmissão dos Globos de Ouro o que obrigará a estação NBC, responsável pela transmissão da cerimónia a devolver entre 7 a 10 milhões de euros aos anunciantes que tinham comprado espaço publicitário na emissão, segundo avança a «Lusa».

    Fica aqui uma paródia à posição dos estúdios, feita pelos argumentistas do “The Colbert Report”, o programa de Stephen Colbert.

     

      

     
     
     
     
     
     

    Que energias poderão ser uma alternativa credível ao Petróleo ?

     
     
    energia

    Energias Alternativas: Combustíveis do Futuro ou Embustes Cruéis?

    1. E quanto a energias alternativas, como a solar, a eólica, o hidrogénio, etc.?

    Infelizmente, a capacidade destas alternativas para substituir os combustíveis fósseis baseia-se mais num mito do que na realidade.

    Os combustíveis fósseis representam mais de 85% no actual fornecimento energético global. Nenhuma das alternativas ao petróleo tradicionais se aproxima sequer a este valor, mesmo sem considerar o incremento necessário no futuro para responder ao aumento da população e da industrialização.

    Analisemos resumidamente as insuficiências das alternativas ao petróleo mais conhecidas:

    (Os dados seguintes foram exaustivamente investigados por Bruce Thompson, moderador do grupo "Running on Empty" no Yahoo)

    A. Gás Natural:

    O gás natural fornece actualmente 20% da energia global. Não é um substituto capaz do petróleo pelas seguintes razões:

    1. O próprio gás começará a escassear a partir de 2020. A procura de gás natural na América do Norte começou já a ultrapassar a oferta, sobretudo a partir do momento em que as centrais energéticas passaram a usar o gás excedente para gerar electricidade.

    2. O gás não é apropriado aos maquinismos existentes, como aeronaves, barcos, veículos, equipamento agrícola e outros.

    3. A conversão consumiria grandes quantidades de energia e de dinheiro.

    4. O gás natural não fornece a enorme quantidade de derivados químicos para os quais dependemos do petróleo.

    B. Hidro-Eléctrica:

    A energia hidro-eléctrica fornece actualmente 2,3% do total global. Não é um substituto capaz dos combustíveis fósseis pelas seguintes razões:

    1. Não é apropriada para aeronaves nem para os 800 milhões de veículos que existem.

    2. Não proporciona a produção de pesticidas, fertilizantes ou plásticos.

    C. Solar

    A energia solar fornece actualmente 0,006% do total global. Como substituta dos combustíveis sólidos sofre de várias insuficiências:

    1. A energia solar varia constantemente com as condições metereológicas e com a alternância dia/noite.

    2. Não é prática para uso nos meios de transporte. Embora já tenha sido construída uma mão-cheia de veículos experimentais movidos a energia solar, ela mostra-se inadequada para aviões, barcos, carros, tanques, etc..

    3. A energia solar não proporciona a produção de pesticidas, fertilizantes ou plásticos.

    4. A energia solar é sensível aos efeitos de uma mudança climática global.

    Um painel solar típico pode no entanto fornecer 50 a 85% da água quente consumida numa residência. Utilizar algum do precioso crude que ainda resta no fabrico do equipamento solar poderá ser uma opção inteligente.

    D. Eólica

    A energia eólica fornece 0,07% do total global. Como substituta dos combustíveis fósseis, os seus problemas são:

    1. Tal como a energia solar, a eólica varia muito com as condições metereológicas, e não é transportável ou armazenável como o petróleo ou o gás.

    2. O vento não proporciona a produção de pesticidas, fertilizantes ou plásticos.

    3. Tal como a energia solar, também o vento é sensível aos efeitos de uma mudança climática global.

    E. Hidrogénio

    O hidrogénio representa 0,01% na energia global. Não é um verdadeiro substituto dos combustíveis fósseis pelas seguintes razões:

    Aqui, há quem discorde. Os japoneses, por exemplo estão a apostar forte no hidrogénio, já tendo, inclusivamente, bombas de abastecimento e carros a funcionar, separando o hidrogénio que existe na água (energia) e, depois unindo-o novamente, saindo pelo tubo de escape, apenas água - resolvendo também os problemas de poluição..

    1. O hidrogénio é actualmente fabricado a partir do gás de metano. É precisa mais energia para o fabrico do que aquela que o hidrogénio depois vai fornecer. É portante um "condutor" de energia e não uma fonte.

    2. O hidrogénio líquido ocupa um volume 4 a 11 vezes superior ao de uma quantidade energeticamente equivalente de gasolina ou diesel.

    3. Os veículos, aeronaves e sistemas de distribuição existentes não são adequados ao hidrogénio.

    4. O hidrogénio não proporciona a produção de plásticos ou fertilizantes.

    As "Pilhas de Hidrogénio" deviam chamar-se "Pilhas do Ingénuo". A "Economia do Hidrogênio" é um logro absoluto e completo. O Dr. Jorg Wing, representante do gigante automóvel Daimler/Chrysler, tornou isso bem claro na Conferência do "Peak Oil" em Paris, quando explicou que a sua empresa não encarava o hidrogénio como uma alternativa viável aos motores baseados no petróleo.

    Ele declarou que os veículos de pilhas de hidrogénio nunca conseguiriam uma quota significativa do mercado. O hidrogénio foi excluído como solução devido aos grandes custos de produção, insuficiências inerentes, falta de infraestrutura e dificuldades práticas, como a dificuldade e alto custo do armazenamento.

    F. Nuclear

    A energia nuclear está presentemente a ser abandonada a nível mundial. A sua capacidade de amortecer a quebra do petróleo é muito problemática devido a vários factores:

    1. Possibilidade de acidentes e de terrorismo.

    2. O custo: um reactor nuclear custa cerca de 3.000 milhões de dólares e requer quantidades brutais de petróleo na sua construção.

    3. O número de reactores necessários: 800 a 1000 só nos EUA.

    4. Não se adequa directamente aos transportes ou à agricultura.

    5. O urânio requer energia petrolífera na sua extracção.

    6. Todos os reactores abandonados permanecem radioactivos por períodos de tempo que vão de décadas a milénios.

    7. Mesmo que fechássemos os olhos a estes problemas, a energia nuclear é uma solução de curto prazo. O urânio tem igualmente um pico de Hubbert, e as reservas actualmente conhecidas suportariam apenas a energia necessária na Terra durante um período de 25 anos, no máximo.

    G. Carvão

    O carvão representa 24% da energia total a nível global. Como um substituto do petróleo é inadequado pelas seguintes razões:

    1. É mais pesado que o petróleo, entre 50 a 200%, por cada unidade de energia.

    2. Substituir o petróleo por carvão levaria a uma expansão da actividade mineira, que por sua vez conduziria à degradação ambiental nas áreas de exploração e ao aumento das emissões de gases que provocam o efeito de estufa.

    3. Ao contrário dos combustíveis petrolíferos e do gás, no carvão é praticamente impossível a afinação rigorosa do ponto de combustão. Por isso ele é usado em centrais energéticas para obter electricidade, desperdiçando assim metade do seu conteúdo energético.

    4. As operações de minagem são alimentadas por combustíveis petrolíferos, tal como os maquinismos e transportes associados a esta indústria.

    5. A poluição é também um problema principal. Uma única central alimentada a carvão produz por ano milhões de toneladas de resíduos sólidos. A queima de carvão nas residências polui a atmosfera com fumos ácidos, que contêm partículas e gases ácidos. Por último, os combustíveis líquidos obtidos a partir do carvão são pouco eficazes e requerem enormes quantidades de água.

    H. Fontes Não-Convencionais, como Hulha, Areia de Alcatrão e Metano Carbonífero

    Estas fontes não-convencionais fornecem actualmente 6% do consumo de gás nos EUA. Cada uma destas alternativas requereria um investimento enorme em investigação e infraestruturas para a sua exploração, e ainda grandes quantidades de petróleo, cada vez mais escasso, antes de se tornarem efectivas.

    No Canadá, por exemplo, produzem-se em Alberta cerca de 200 mil barris diários de petróleo não convencional, mas são necessários cerca de 2 barris de patróleo de investimento energético para produzir 3 barris de petróleo equivalente, a partir desses recursos. Adicionalmente, os custos ambientais são terríveis e o processo utiliza uma enorme quantidade de água potável e também de gás natural, e ambos os recursos existem em quantidades limitadas.

    O maior problema com o petróleo não-convencional é que ele não poderá ser explorado antes do choque petrolífero inviabilizar as tentativas de o tornar efectivo; por outro lado, o seu ritmo de extracção é demasiado baixo para responder à enorme procura global de energia.

    2. Você está a esquecer-se da biomassa e do álcool etílico. Não poderemos cultivar o nosso próprio combustível ?

    [Observação: O autor parece desconhecer estudos brasileiros sobre o balanço energético e mesmo a experiência brasileira do pro-álcool. ]

    Num artigo entitulado "O Paradigma do Pós-Petróleo", o Dr. Walter Youngquist, Professor de Geologia aposentado da Universidade do Oregon, refere-se às grandes limitações da biomassa e do etanol. Segue-se um excerto desse artigo:

    O óleo de origem vegetal é por vezes promovido como uma fonte de combustível para substituir o petróleo.

    Os factos e a experiência com o etanol são um exemplo. O Etanol é um álcool de origem vegetal (geralmente extraído do milho) que é utilizado hoje em dia, principalmente, sob a forma de gasóleo, uma mistura de 10% de etanol e 90% de gasolina. Devido ao seu uso em determinadas circunstâncias, tornou-se comum aceitar que o etanol é uma solução, parcial mas aceitável, na questão do combustível para máquinas.

    Contudo, o etanol é uma energia negativa -- é necessária mais energia para o produzir do que a que se obtém do etanol.

    A produção do etanol é um desperdício dos recursos de energia fóssil. A energia necessária para produzir um galão de etanol, ultrapassa em 71% a energia contida num galão de etanol.

    A produção do etanol sobrevive graças ao subsídio do governo norte-americano, com os dólares dos contribuintes. Manter a produção do metanol é um simples instrumento para comprar o voto rural do Midwest americano, e talvez esteja também relacionado com o facto da companhia que produz 60% do etanol americano ser ao mesmo tempo uma das que mais contribuem com dinheiro para a campanha eleitoral ao Congresso -- um exemplo perturbador de como a política se sobrepõe à lógica.

    Algumas pessoas empreendedoras converteram os seus veículos ao consumo de óleo vegetal, depois de usado nos restaurantes de fast-food. É uma medida que deve ser encorajada; contudo, não é a resposta ao nosso problema, porque simplesmente não existe no mundo óleo vegetal suficiente para mover mais do que um número relativamente pequeno de veículos.

     3. Acabei de ler um artigo sobre uns cientistas que desenvolveram um novo reactor que transforma álcool etílico em hidrogénio. O que é que diz a isto?

    A minha resposta:

    1. Veja na questão acima porque é que o etanol não substitui de facto o petróleo.

    2. Veja numa questão acima porque é que o hidrogénio não substitui de facto o petróleo.

    3. Pergunte a si próprio: Quanto tempo demoraria este protótipo a ser implementado em larga escala? Quanto é que isso ía custar? Poderia ser utilizado como combustível em aeronaves, tanques, navios de carga, grandes camiões, equipamento de construção, fábricas? Poderia originar a produção de fertilizantes ou plásticos?

    Eu acho que você sabe as respostas.

    4. E acerca de uma nova tecnologia que consegue transformar qualquer coisa em petróleo?

    A "despolimerização térmica" consegue transformar muitos tipos de resíduos em petróleo, e pode ajudar-nos a subir o nível de eficiência energética, uma vez que perdemos energia com o esgotamento do petróleo. Embora essa tecnologia nos ajudasse a suavizar a Queda, não é uma verdadeira solução.

    Tal como muitas outras formas de energia alternativa, não temos tempo para a implementar antes da Queda. Actualmente, apenas uma unidade de despolimerização térmica está operacional. Seriam necessárias milhares de instalações em plena laboração para que essa tecnologia fizesse uma pequena diferença na nossa situação.

    Para além disso, o produto resultante do processo possui obrigatoriamente menos energia útil do que a que entrou nesse processo, como é exigido pelas leis da termodinâmica. Por último, a maior parte dos resíduos (como os plásticos e os pneus) já precisou de muito petróleo aquando do seu fabrico.

    O maior problema com a despolimerização térmica é que tem sido anunciada mas mal explicada. Esse tipo de informação promove o consumo, dá-nos uma sensação de segurança falsa e perigosa, e encoraja-nos a continuar a pensar que não precisamos de fazer deste assunto uma prioridade.

    5. E acerca da "Nova" energia? O Nikola Tesla não inventou uma máquina qualquer que produz montes de energia?

    Bom eu seria um dos principais partidários das tecnologias da "Nova Energia", como a Fusão Nuclear a Frio ou a Energia do Ponto Zero, mas o meu optimismo, quanto à sua capacidade para nos compensar da escassez do petróleo, é reservado.

    Apesar da Nova Energia ter algumas possibilidades excitantes, a triste realidade é que, neste momento, temos absolutamente zero por cento da nossa energia vinda dessas fontes, e não temos quaisquer protótipos funcionais.

    Se quiser saber mais, aconselho uma visita pelo "Infinite Energy Magazine" ou a leitura do artigo do Dr. Eugene Mallove, "Universal Appeal for Support for New Energy Science".

    6. Estas alternativas são então inúteis?

    Não, de forma alguma. Qualquer civilização que se erga após a Queda, extrairá provavelmente uma boa parte da sua energia a partir destas tecnologias.

    Embora as alternativas tradicionais como a energia solar ou eólica mereçam sem dúvida o investimento, não são de modo algum a solução mágica que por vezes é anunciada.

    A seguir temos um extracto do livro do Prof. Richard Heinberg, "A Festa Acabou: Petróleo, Guerra, e o Destino das Civilizações Industriais", no qual ele explica porque a noção que "Tudo o que temos a fazer é mudar para a energia solar, eólica, etc...." é ilusória na sua simplicidade.

    Obviamente, teremos de encontrar substitutos para o petróleo. Mas uma análise às actuais energias alternativas não é tranquilizadora.

    A análise dos recursos energéticos acaba sempre por se render a uma perspectiva desconfortável mas inevitável: mesmo que se intensifique agora a mudança para os recursos energéticos alternativos, após o pico de extracção petrolífera as nações industriais terão menos energia disponível para realizar o trabalho útil -- incluindo o fabrico e transporte de bens, a agricultura, e o aquecimento das residências.

    Sem dúvida, devíamos investir em alternativas e converter a nossa infraestrutura industrial para as usar. Se existe alguma solução para as sociedades industriais na aproximação da crise energética, ela será dada pelas energias renováveis e pela preservação. No entanto, para alcançar uma transição suave entre as energias não-renováveis e as renováveis, seriam necessárias décadas -- e nós não temos décadas antes de ocorrerem os picos na extracção do petróleo e do gás natural.

    Além do mais, mesmo no melhor cenário, a transição exigirá uma mudança maciça do investimento de outros sectores da economia (tal como do sector militar) para o campo da investigação e preservação energética. E as alternativas disponíveis dificilmente suportarão os tipos de infraestruturas de transportes, alimentação ou habitação que possuímos actualmente; por conseguinte, a transição implicará um re-desenho quase completo das sociedades industriais.

     

    Há vida depois do Petróleo ?

     
     
     terra_petroleo

    A Vida após o Fim do Petróleo (Life After The Oil Crash), por Matt Savinar

    A civilização tal como a conhecemos está a aproximar-se rapidamente do fim. Isto não é a conclusão de qualquer seita religiosa, mas o resultado de uma análise criteriosa, suportada por informação credível e pelos cientistas que estudam o "Peak Oil" a nível global, e os eventos geo-políticos que com ele estão relacionados.

    E quem são estes profetas da desgraça que afirmam que o céu está a cair? Fanáticos da conspiração? Adeptos do Apocalipse bíblico? Pelo contrário, são alguns dos geólogos mais respeitados, mais credenciados e mais bem pagos do mundo. E é isso o mais assustador.

     A situação é tão negra que até o Conselheiro para a Energia de George W. Bush, Matthew Simmons, reconheceu que "A situação é desesperada. Esta é a situação mais grave que o mundo enfrenta". Numa entrevista dada em Agosto de 2003, perguntaram a Simmons se estava na altura do "Peak Oil" se tornar parte do debate público. Ele respondeu: "É mais do que tempo. Tal como disse, os especialistas e os políticos não têm um plano de recurso. Se a energia cair, sobretudo quando 5.000 dos 6.500 milhões de habitantes do mundo dão pouca ou nenhuma utilização às novas energias, isto representará uma enorme sacudidela no nosso bem-estar económico e pessoal -- maior do que alguém possa imaginar".

    Quando lhe perguntaram se existia uma solução, Simmons respondeu: "Não creio que exista. A solução é rezar... Se as coisas correrem bem, se todas as orações forem atendidas, não haverá crise durante mais dois anos, talvez. Depois disso, é uma certeza".

    E não é apenas Simmons quem toca o alarme. Segundo o Secretário da Energia norte-americano Spencer Abraham, "A América está perante uma grave crise de fornecimento energético a ter lugar durante as duas próximas décadas. Não estar à altura deste desafio ameaçará a prosperidade económica da nossa nação, comprometerá a nossa segurança nacional, e alterará literalmente o nosso modo de vida".

     "Lide com a realidade ou a realidade lidará com você" (Deal with Reality, or Reality will Deal with You) por Matt Savinar

     

    Parte 1: "Peak Oil" e as Ramificações na Civilização Industrial

    1. O que é o "Peak Oil"?

    Toda a produção de petróleo segue uma curva em forma de sino (curva de Hubbert), seja num campo individual ou no planeta como um todo. Na parte ascendente da curva os custos de produção são significativamente mais baixos do que na parte descendente, quando é necessário um maior esforço (despesa) para extrair petróleo de poços que estão a ficar vazios. Para simplificar: o petróleo é abundante e barato na curva ascendente, escasso e caro na curva descendente. O pico da curva coincide com o ponto em que as reservas mundiais de petróleo estão consumidas em 50%. "Peak Oil" é o termo da indústria para o topo da curva. Uma vez passado o pico, a produção de petróleo começa a decair enquanto os custos começam a subir.

    Em termos práticos e bastante simplificados isto significa que, se 2000 foi o ano do "Peak Oil", a produção mundial de petróleo no ano 2020 será a mesma de 1980.

    Contudo, a população mundial em 2020 será muito maior (aproximadamente o dobro) e muito mais industrializada do que era em 1980. Consequentemente, a procura mundial de petróleo ultrapassará a sua produção por uma margem significativa. Quanto mais a procura exceder a produção, mais alto será o preço. Em última análise, a questão não é "Quando acabará o petróleo?", mas sim "Quando acabará o petróleo barato?"

    2. Quando ocorrerá o "Peak Oil"?

    As estatísticas mais optimistas indicam que se atingirá o pico da produção petrolífera entre os anos de 2020 a 2035. Normalmente, estas estimativas vêm de agências governamentais como o Observatório Geológico dos Estados Unidos, das companhias de petróleo, ou de economistas que não consideram a dinâmica do esgotamento de recursos. Mesmo que os optimistas estivessem certos, estaríamos a raspar no fundo do barril de petróleo ainda durante o período de vida da maioria das pessoas que estão hoje na meia-idade.

    Uma estimativa mais realista cai entre os anos de 2004 a 2010. Infelizmente, nós não saberemos se o pico foi atingido antes de se passarem 3 ou 4 anos após o facto. Mesmo na parte ascendente da curva, a produção de petróleo varia um pouco de ano para ano. É possível que a produção mundial de petróleo tenha atingido um máximo no ano 2000, porque tem descido a cada ano que se passou. A indústria da energia reconheceu serenamente a gravidade da situação. Por exemplo, num artigo recentemente colocado na página da Exxon-Mobil Exploration, o presidente da empresa, Jon Thompson, declarou: "Até 2015, teremos de encontrar, desenvolver e produzir um adicional de petróleo e gás equivalente a 8 em cada 10 barris que são produzidos actualmente. Espera-se também que o custo associado ao fornecimento acrescido deste petróleo e gás seja considerávelmente superior ao que a indústria despende actualmente".

    Igualmente assustador é o facto da maioria das prospecções mais prometedoras se situarem longe dos grandes mercados -- algumas em regiões onde faltam mesmo as infraestruturas básicas. Outras em climas extremos, como no Ártico, colocam extraordinários desafios técnicos.

    Se Jon Thompson é tão sincero num artigo colocado no sítio da Exxon-Mobile, poderemos imaginar o que por lá se diz à porta fechada. Os Sauditas não são menos sinceros que Jon Thompson quando discutem o colapso iminente da civilização baseada no petróleo. Eles têm um ditado que diz "O meu pai andava de camelo. Eu ando de carro. O meu filho anda de avião. O filho dele vai andar de camelo". 

    3. Não importa. Se a gasolina subir muito, eu compartilho o carro, ou arranjo um desses carros híbridos. Porque havia de me preocupar?

    Quase toda a actividade humana, desde os transportes, as fábricas, a electricidade, aos plásticos, e especialmente à produção de alimentos e água está profundamente ligada ao fornecimento do petróleo e gás natural.

     

    A. O petróleo e a produção alimentar

    Nos EUA, são necessárias aproximadamente 10 calorias de combustível fóssil para produzir 1 caloria de comida. Se a embalagem e transporte forem factores da equação, a proporção sobe consideravelmente. Esta disparidade tem sido permitida pela abundância de petróleo barato. A maioria dos pesticidas é obtida a partir do petróleo, e todos os fertilizantes comerciais são baseados no amoníaco. O amoníaco é produzido a partir do gás natural, um combustível fóssil sujeito a um perfil de esgotamento semelhante ao do petróleo. O petróleo permitiu a existência de ferramentas agrícolas como os tractores, sistemas de armazenamento de alimentos como as câmaras frigoríficas, e os sistemas de transporte de mantimentos como os camiões de distribuição. A agricultura baseada no petróleo é o factor principal que levou ao aumento em flecha da população mundial, de 1.000 milhões em meados do séc. XIX até aos 6.300 milhões no virar do séc. XXI. Enquanto a produção petrolífera subiu, subiu igualmente a produção alimentar. Enquanto a produção alimentar subiu, subiu igualmente a população. Enquanto a população subiu, subiu também a procura de alimentos, o que levou ao aumento da procura do petróleo.

    No espaço de poucos anos após ocorrer o "Peak Oil", o preço dos alimentos vai disparar, tal como os preços de produção, armazenamento, transporte e embalagem, que também terão de subir.

    Para mais informação sobre petróleo e produção alimentar, podem ler os seguintes artigos (em inglês):

    1. "Eating Fossil Fuels" de Dale Allen Pfeiffer

    2. "The Oil We Eat" de Richard Manning

    B. O petróleo e o fornecimento de água

    O petróleo também é necessário para a distribuição da quase totalidade da nossa água potável. O petróleo é usado para construir e conservar aquedutos, barragens, canalizações, poços, bem como para bombear a água que chega às nossas torneiras. Tal como com os mantimentos, o custo da água potável vai subir com a subida do preço do petróleo.

     

    C. O petróleo e a saúde

    O petróleo é largamente responsável pelos avanços efectuados pela medicina nos últimos 150 anos. O petróleo permitiu o fabrico em massa das drogas farmacêuticas, do equipamento cirúrgico e o desenvolvimento de infraestruturas de saúde pública como os hospitais, as ambulâncias, as estradas, etc..

     

    D. O petróleo e tudo o resto

    O petróleo é também necessário para quase todos os aspectos do consumo, desde os sistemas de esgotos, tratamento de lixos, manutenção de estradas, polícia, serviços de bombeiros e a defesa nacional. Por isso, as consequências do "Peak Oil" terão efeitos muito além do preço da gasolina. Dito de um modo simplificado, podemos esperar: o colapso económico, a guerra, a fome generalizada, e um decréscimo maciço da população mundial.

    4. O que quer dizer com "decréscimo maciço"?

    Exactamente isso. Calcula-se que a população mundial se contrairá durante a Quebra do Petróleo, até se situar entre 500 milhões e 2.000 milhões. (A população actual é de 6.400 milhões)

    5. Está a falar a sério? Isso é cerca de 90% da nossa população actual. Como podem perecer tantas pessoas? De onde vêm essas estimativas?

    A estimativa vem de biólogos que estudaram o que sucede com os seres vivos quando se esgota um recurso fundamental do seu meio ambiente. Os resultados são os mesmos, quer se trate de bactérias numa cultura ou seres humanos numa ilha.

    Exemplo A: A Bactéria

    A bactéria de uma cultura crescerá exponencialmente até se acabarem os recursos, um ponto em que a sua população sofrerá uma quebra. Apenas uma geração antes da quebra, a bactéria terá utilizado metade dos recursos disponíveis. Para a bactéria, não existirá qualquer indício de problemas até começar a morrer à fome. Antes disso acontecer, a bactéria começará a canibalizar-se antes de lutar até à última pela sobrevivência.

    Mas os humanos são mais inteligentes que as bactérias, não é? Poderíamos pensar que sim, mas os factos indicam o contrário. O primeiro poço de petróleo explorado comercialmente foi aberto em 1859. Nessa época, a população mundial era cerca de mil milhões. Menos de 150 anos depois, a nossa população disparou para os 6.400 milhões. Nesse período, utilizámos metade do petróleo explorável existente no mundo. A metade que resta custará mais caro extraí-la. Se os peritos estiverem correctos, estamos a menos de uma geração de distância da Quebra. Apesar disso, para muitos de nós parece não existir qualquer indício de problemas. A uma geração de distância do nosso perecimento, estamos tão alheios como as bactérias numa cultura.

    Exemplo B: A Ilha da Páscoa

    No decurso da nossa História, muitas populações humanas sofreram decréscimos maciços. O exemplo mais próximo da nossa situação actual foi o que teve lugar na Ilha da Páscoa durante o início do séc. XVIII. A Ilha da Páscoa foi descoberta pela civilização ocidental em 1722, quando o explorador holandês Jacob Roggeveen desembarcou na ilha. Na época, Roggeveen descreveu a ilha como uma terra desolada. Os ilhéus que ele encontrou levavam uma existência particularmente primitiva, mesmo pelos padrões do séc. XVIII. Na ilha não existia madeira para queimar, havia poucas espécies de plantas, e não existiam animais nativos maiores que insectos. Os ilhéus não conheciam a roda, não tinham animais de tiro, possuíam poucos utensílios e só 3 ou 4 canoas estragadas e a meter água.

    Apesar da aridez existente, a Ilha da Páscoa estava povoada com enormes estátuas de pedra, de construção elaborada. Roggeveen e a sua tripulação ficaram completamente perplexos com as estátuas, porque era claro que quem as tinha construído possuia utensílios, recursos e capacidade organizacional bem mais avançada que os ilhéus que eles encontraram. O que teria acontecido a este povo?

    Segundo os arqueólogos, a Ilha da Páscoa foi inicialmente colonizada por Polinésios cerca do ano 500 DC. Nessa altura, a ilha era um paraíso primordial com florestas luxuriantes. Sob estas condições, a população da ilha cresceu até aos 20.000 habitantes. Durante este florescimento populacional, os ilhéus usaram a madeira das florestas como a energia de suporte para praticamente todos as vertentes de uma sociedade altamente complexa. Utilizaram a madeira para combustível, canoas e casas -- e, claro, para transportar as enormes estátuas. A cada ano que passava, os ilhéus tiveram de cortar mais e mais árvores à medida que as estátuas se tornavam cada vez maiores.

    Quando as árvores desapareceram, os ilhéus ficaram sem madeira e cordas para transportar e erigir as estátuas; as fontes e as correntes de água secaram, e a madeira para combustível acabou. O fornecimento de comida também diminuiu à medida que desapareceram as aves terrestres, os muluscos maiores e as aves marinhas. Quando os troncos para construir canoas deixaram de existir, a pesca declinou e o peixe deixou de fazer parte da ementa. Quando o fornecimento de comida diminuiu consideravelmente, os ilhéus recorreram ao canibalismo para se sustentarem. A prática tornou-se tão vulgar que eles tinham um insulto que dizia: "A carne da tua mãe enfiou-se entre os meus dentes".

    Em pouco tempo o caos substituiu o governo centralizado, e uma classe de guerreiros derrubou os chefes hereditários. Por volta de 1700, a população começou a decrescer até restar entre 0,25 a 0,10 do número original. As pessoas começaram a viver em cavernas para melhor protecção dos seus inimigos e as estátuas foram derrubadas em guerras de clãs. A Ilha da Páscoa, em tempos a morada de uma sociedade complexa, tornara-se uma terra barbarizada.

    Tal como Jared Diamond, Professor de Medicina na UCLA, explicou:

    "A Ilha da Páscoa apresenta-se-nos hoje como uma metáfora: isolada no meio do Oceano Pacífico, sem ninguém para a ajudar, sem nenhum local para onde fugir, a Ilha da Páscoa entrou em colapso. Do mesmo modo, podemos olhar para o Planeta Terra no meio da galáxia e, se também nós tivermos sarilhos, não há outro local para onde fugir, nem outro povo a quem possamos pedir ajuda".

    6. Ainda não consigo imaginar esse número de mortos. É demasiado horrível para pensar. Só 10% de nós vai safar-se? Como é que isso é possível?

    Eu sei como você se sente. É muito difícil lidar com isto, tanto emocional como intelectualmente. Como Michael Meacher, antigo ministro do ambiente do Reino Unido, declarou recentemente, "É difícil encarar os efeitos, na economia moderna ou na sociedade, de uma redução radical no fornecimento do petróleo. As implicações são avassaladoras". Talvez a explicação seguinte, embora consideravelmente simplificada, ajude a ilustrar o futuro para o qual caminhamos.

    Como foi explicado acima, a produção mundial do petróleo segue uma curva em forma de sino. Por isso, se 2000 foi o ano do pico de produção, significa que no ano 2025 a produção de petróleo será aproximadamente a mesma que se efectuou no ano 1975. A população para o ano 2025 calcula-se, em números redondos, nos 8.000 milhões. A população em 1975 era de aproximadamente 4.000 milhões. Dado que a produção de petróleo equivale no essencial à produção de alimentos, isto significa que teremos 8.000 milhões de pessoas no planeta, mas comida para apenas 4.000 milhões.

    Com isto presente, imagine a seguinte situação: você, eu e mais 6 pessoas, estávamos fechados numa sala, com comida para apenas 4 pessoas. Pelo menos metade de nós morreria de fome. Mais um ou dois provavelmente morreria a disputar a pouca comida que temos. Isto é o que aconteceria se as pessoas lutassem com os punhos. Se nos dessem armas, imagine como ficaria aquela sala...

    7. Parece claro que temos um verdadeiro problema, mas você está a descrever o pior cenário possível, não é?

    Estou a descrever o cenário mais provável. O pior cenário é a extinção, porque as guerras que vão acompanhar a escassez do petróleo serão provavelmente as mais terríveis e generalizadas que a humanidade alguma vez atravessou.

    8. Onde é que você foi buscar esta informação? Quem mais está a falar acerca do "Peak Oil"? Que antecedentes é que eles possuem? Como é que eu sei que eles são credíveis, e não uns doidos?

    Quando você acabar de ler estes textos, aconselho-o a ir ao Google e procurar o termo "Peak Oil". Você encontrará para sua consternação, tal como eu, que tudo o que leu neste sítio é suportado por factos palpáveis, relatados por fontes altamente respeitadas. Tem aqui alguns links para começar:

    A. Dr. David Goodstein, Professor de Física e Vice-Reitor da Universidade Cal Tech

    *ABC News, entrevista com Goodstein

    B. Matthew Simmons, Conselheiro para a Energia de George Bush

    *Agosto de 2003, entrevista com Simmons

    *Simmons, Fevereiro de 2004: Apresentação completa em Power Point sobre o "Peak Oil"

    *Índice completo dos ensaios de Simmons sobre o "Peak Oil" e temas relacionados

    C. Dr. Colin Campbell, antigo Geólogo de Exploração da Texaco, Geólogo-Chefe do Equador, e fundador da Associação para o Estudo do "Peak Oil" e do Gás

    *Mais de 35 "newsletters" sobre o "Peak Oil" pelo Dr. Campbell

    *Mais de 15 artigos sobre o "Peak Oil" pelo Dr. Campbell

    D. Artigos nas principais publicações noticiosas

    *Mais de 50 artigos de publicações como The San Francisco Chronicle, The Los Angeles Times, Barrons, New York Times, Newsweek, The Financial Times, The Washington Post, Business Week, etc. (clicar em "Articles")

    O último livro do José Rodrigues dos Santos "O Último Selo", também aborda este tema.

    9. Será possível termos já atingido o "Peak Oil" e que estejamos agora nas primeiras fases da Quebra do Petróleo?

    Sim. Existe uma grande evidência de que já entrámos na quebra.

    A. Declínio da produção petrolífera

    Em Maio de 2003, na Conferência do "Peak Oil" em Paris, Kenneth Deffeyes, Professor de Princeton e autor de "O Pico de Hubbert: A Iminente Crise Mundial do Petróleo", explicou que o "Peak Oil" se deu em 2000 notando que a produção tem de facto declinado desde essa data.

    B. Estimativas drasticamente revistas sobre as reservas de petróleo e gás natural

    Em Outubro de 2003, a CNN Internacional noticiou que uma equipa de investigação da Universidade de Uppsala, na Suécia, tinha concluído que as reservas mundiais de petróleo eram 80% abaixo do que se calculava, que a produção mundial de petróleo atingiria o pico dentro dos próximos 10 anos, e que, após o pico da produção, os preços da gasolina atingiriam níveis desastrosos. Em Janeiro de 2004 as acções das principais companhias petrolíferas caíram, após a Royal Dutch/Shell Group ter abalado os seus investidores ao cortar as suas reservas "demonstradas" em 20%, levantando preocupações sobre as outras companhias, se teriam também avaliado incorrectamente a sua parte. Um mês depois, a companhia energética El Paso Corporation anunciou que tinha de cortar as suas reservas demonstradas de gás natural em 41%.

    C. O alto preço do petróleo e da gasolina

    Em Março de 2004, o preço do petróleo atingiu 38 dólares o barril, o mais alto desde 1991. O preço médio do galão de gasolina (aprox. 3,8 litros) atingiu nos EUA um recorde de 1,77 dólares, e em algumas zonas chegava aos 2,40. Muitos analistas previram que o preço da gasolina excederá os 3,50 dólares por galão no Verão de 2004.

    D. Valores altos de desemprego

    Podemos pensar no "Pico de Produção Petrolífera" como um sinónimo para "Pico na Criação de Emprego". Em Dezembro de 2003, o desemprego "ajustado", que foi espremido até ao limite do concebível, ficou ainda assim nos 6%. Contudo, se for considerado o factor de qualidade de emprego, os números reais andam pelos 12 a 15%. Em Março de 2004, a economia norte-americana está a criar apenas 21.000 empregos por mês, 20.000 dos quais são criados pelo governo. Precisamos, contudo, de criar mais de 200.000 novos empregos por mês apenas para acompanhar o aumento da população. Criar novos empregos é praticamente impossível, agora que a produção de petróleo atingiu o pico. Sem um aumento no fornecimento de energia a economia não consegue crescer, e os empregos não podem ser criados.

    E. Apagões

    Os sucessivos apagões que aconteceram na Califórnia nos finais de 2000, o enorme apagão da Costa Leste em Agosto de 2003 e vários outros apagões maciços que ocorreram nos finais do Verão de 2003 são simplesmente um sinal das coisas que virão.

    F. Redução de alimentos e da produção química

    A produção mundial de cereais tem caído de ano para ano, desde 1996-1997. A produção mundial de trigo tem caído de ano para ano, desde 1997-1998. Na China, as recentes oscilações no preço dos alimentos, podem ser sinais da aproximação de uma crise mundial na alimentação, provocada pelo aquecimento global e por uma escassez crescente no abastecimento de água aos maiores produtores de cereais. Nos EUA, um quarto das fábricas de fertilizantes fechou definitivamente durante o ano passado; outro quarto ficou parado até os preços do gás natural recuarem, após uma subida súbita. (Ver Richard Heinberg, "Actualização, Petróleo e Gás ", Museletter Number 142, Janeiro 2004)

    G. Conclusão

    O declínio na produção petrolífera, a redução nas estimativas das reservas de gás e petróleo, o desemprego com valores altos e crónicos, os apagões em larga escala, a redução nos fornecimentos alimentares e químicos -- se olharmos isoladamente para cada uma destas peças de evidência, elas não dirão muito sobre a situção em que se encontra o mundo. Contudo, quando as vemos agrupadas no contexto do "Peak Oil", o facto de estarmos já em queda torna-se óbvio.

    10. E quanto aos chamados recursos petrolíferos "não-convencionais"? O Canadá não possui uma enorme quantidade deste tipo de petróleo?

    O chamado petróleo "não-convencional", como as areias de petróleo encontradas no Canadá e na Venezuela, é incapaz de substituir o petróleo convencional, pelas seguintes razões:

    A. O petróleo não-convencional tem uma Relação de Aproveitamento Energético muito baixa e é extremamente difícil de produzir. É necessário investir em energia cerca de 2 barris de petróleo para produzir,a partir destes recursos,3 barris de petróleo equivalente. O custo dos projectos petrolíferos não-convencionais canadianos é tão elevado que, em Maio de 2003, a publicação "Rigzone", ligada à indústria petrolífera, sugeria: "O Presidente Bush, conhecido pela sua fé religiosa, devia rezar todas as noites para que a Petro-Canada, e outras empresas ligadas às areias de petróleo, encontrassem meios para cortar nas despesas e aumentar a segurança energética dos EUA".

    B. Os custos ambientais são terríveis e o processo utiliza uma imensidão de água potável e também gás natural, e ambos existem em quantidades limitadas.

    C. Embora o petróleo não-convencional seja abundante, o seu ritmo de extracção é demasiado lento para responder ao grande aumento global da procura de energia. O Dr. Colin Campbell calcula que a capacidade conjunta do Canadá e da Venezuela na área do petróleo não-convencional, daria uns 2,8 milhões de barris diários (mbd) em 2005, 3,6 mbd em 2012, e 4,6 mbd em 2020. Isto são gotas no balde, dado o actual consumo de 75 mbd, que se espera vir a aumentar até 120 mbd em 2020.

    11. Acabei de ler um artigo que afirma continuarem a aumentar as reservas conhecidas de petróleo. O que é que diz a isto?

    Nos últimos anos, o USGS e o EIA reviram as suas estimativas das reservas de petróleo em alta. Isto levou muitos observadores e comentadores a aacreditar que a possibilidade de uma severa escassez de petróleo era coisa do passado.

    Enquanto os relatórios do USGS (Observatório Geológico dos EU) e do EIA (Administração da Informação Energética) sobre a produção no passado são bastante fidedignos, as suas predições para o futuro são em grande parte propaganda. Eles próprios o admitem. Por exemplo, após recentes revisões em alta nas projecções para o fornecimento do petróleo, o EIA declarou: "Estes ajustamentos às estimativas são baseados em considerações não-técnicas, que sustentam o crescimento da oferta interna até aos níveis necessários para responder aos níveis de procura projectados".

    Por outras palavras, eles preveem quanto acham que vamos utilizar, e depois dizem-nos: "Vejam, não há motivos de preocupação -- para isso nós temos!"

    12. Será possível existir ainda mais petróleo por descobrir?

    Quase de certeza que não. Todas as evidências indicam que já localizámos a maioria das reservas mundiais de petróleo.

    A. Os maiores campos petrolíferos do mundo têm todos mais de 40 anos.

    Segundo um relatório recente da Escola Mineralógica do Colorado, intitulado "Os Campos de Petróleo Gigantes no Mundo", os 120 maiores campos produzem quase 50% do crude mundial. Os 14 maiores são responsáveis por mais de 20%. A idade média destes 14 maiores é de 45,5 anos. As reservas, nos campos de petróleo super-gigantes e gigantes, estão a diminuir à razão de 4 a 6% ao ano. O estudo conclui que "a maioria dos verdadeiros gigantes mundiais já foi encontrada há várias décadas".

    B. A "Mainland" norte-americana como um exemplo

    Se você ainda não está convencido de que já não existem mais (ou pelo menos sobram muito poucos) grandes campos de petróleo por descobrir, considere o exemplo do que aconteceu nos EUA. Nos EUA nós pesquisámos e extraímos petróleo há mais tempo do que em qualquer outro lugar, desde 1859, e temos maior força financeira e tecnológica do que quaisquer outros. Se alguém conseguisse contornar o declínio petrolífero, teríamos sido nós. A produção de petróleo nos EUA atingiu o pico em 1970 e tem caído consistentemente desde então. Apesar dos máximos incentivos financeiros, da tecnologia mais sofisticada do mundo, e de uma abertura completa à inovação, os EUA foram incapazes de abrandar, muito menos de inverter, este declínio na produção de 2% ao ano. Trinta e cinco anos de dinheiro e de investigação não abrandaram nem inverteram o declínio; porque é que no resto do mundo havia de ser diferente? O facto é que no resto do mundo não vai ser diferente.

    13. O Clube de Roma não fez a mesma previsão nos anos 70?

    Frequentemente, sempre que alguém faz uma previsão tipo "fim do mundo", é escarnecido como "clubista de Roma". Isto é uma posição extremamente infeliz, porque afinal o CdR parecia estar correcto. Quem o diz? Nada menos que Matthew Simmons, que declarou em 2000: "Em retrospectiva o CdR demonstrou estar correcto. Nós simplesmente desperdiçámos 30 anos importantes ao ignorar o seu trabalho."

    14. Tivémos problemas com o petróleo nos anos 70. Porque é que agora é diferente?

    A escassez de petróleo dos anos 70 foi consequência de acontecimentos políticos. A próxima escassez de petróleo vai resultar da realidade geológica. Pode-se negociar com os políticos. Pode-se ameaçar, bloquear ou invadir os países do Médio Oriente. Não se pode fazer nada à Terra.

    No que respeita ao fornecimento de petróleo aos EUA, existiam nos anos 70 outros países produtores, "desalinhados", como a Venezuela, que puderam preencher as falhas no abastecimento. Após a produção mundial atingir o pico, não vão existir quaisquer produtores "desalinhados" que possam suprir a falha.

    Os choques petrolíferos dos anos 70, foram um pouco como as vibrações que precedem um terramoto. A crise que se aproxima é provocada por escassez de recursos, e não por política -- embora, claro, a política faça parte dela.

    Não é uma interrupção temporária, mas o início de uma condição nova e permanente. Os sinais de aviso já se fazem sentir há muito tempo. Eles têm sido bem visíveis, mas o mundo tornou-se cego e não conseguiu entender a mensagem.

    No futuro, comparar as falhas de petróleo do anos 70 com a Quebra do Petróleo de 2005-2050, será como comparar uma amolgadela no pára-choques com uma violenta colisão frontal.

    15. Então temos novamente um "fim do mundo". O que é que isso tem de novo? O "bug do ano 2000" era suposto ter sido o fim do mundo, e acabou por dar em nada.

    O que há de novo é que isto é bem real. Não é uma simulação de acidente, não é histeria paranóica. É um facto real. O Conselheiro para a Energia de George W. Bush, Matthew Simmons, referiu-se a este assunto na Conferência do "Peak Oil" em Paris, declarando:

    Penso que é da natureza humana, gostamos realmente de ter sonhos agradáveis. Um único lobo a uivar é ignorado, a menos que ele já esteja na porta da frente, e nessa altura já é demasiado tarde para dar o alarme. E as crises não são, por definição, mais do que problemas que foram ignorados. E todas as grandes crises foram ignoradas até se tornar demasiado tarde para fazer alguma coisa.

    O "Peak Oil" não é "O Regresso do Y2K". O "Peak Oil" diferencia-se dos cenários anteriores de "fim do mundo" (como o "bug do ano 2000") nos seguintes aspectos:

    A. O "Peak Oil" não é um "se", mas um "quando". Mais ainda, não é um "quando nos próximos mil anos", mas um "quando nos próximos dez anos".

    B. O "Peak Oil" é baseado em factos científicos e não em especulação subjectiva.

    C. O governo e a indústria começaram a preparar-se para o Y2K entre 5 a 10 anos antes do problema ocorrer. Nós estamos a 10 anos do "Peak Oil" e não fizémos qualquer preparação.

    D. Os preparativos necessários para o "Peak Oil" requerem uma completa verificação de todos os aspectos da nossa civilização. Isto é muito mais complexo do que corrigir um "bug" num qualquer computador.

    E. Além disso, o petróleo é fundamental para a nossa existência, mais ainda que os computadores. Se as previsões do "bug do ano 2000" estivessem correctas teríamos regressado à situação de 1965. Com o passar do tempo recuperaríamos. Quando chegar a Quebra do Petróleo vamos regressar à situação de 1765. Não conseguiremos recuperar, porque não restará petróleo economicamente viável para nos ajudar a descobrir a solução do problema.

    Fonte: Reportagem retirada na íntegra do site www.biodieselbr.com

     


     

    Mário Soares ao microfone: "O Sr. Cale-se!..."

     
     
    fms

    Um debate ontem promovido por Mário Soares na sua Fundação sobre "Dinâmicas Sociais e Sindicalismo", ficou marcado por um incidente entre o anfitrião e um dos presentes, o ex-sindicalista do Banco de Portugal, Mouta Liz, conhecido por ter sido acusado de ser membro das FP-25.

    Tudo aconteceu enquanto José Sócrates, também convidado, discursava. Mouta Liz, presente na plateia, levantou-se e gritou "Propaganda!". Soares irritou-se, foi ao microfone, e gritou-lhe: "O senhor cale-se, está aqui como convidado, mas também pode ser convidado a sair.", mais ou menos no mesmo estilo em que o rei de Espanha falou com Hugo Chavez...

    January 11

    Controladores aéreos portugueses interceptam mensagem terrorista de ataque à Torre Eiffel

    t_eiffel
     
    Esta notícia vem referenciada no "última_hora" do Jornal O Público:
     
    A Direcção de Vigilância do Território (DST, serviços de contra-espionagem franceses) está a tentar identificar os autores de uma mensagem captada ontem, dia 10 de Janeiro, por controladores aéreos portugueses do centro aéreo de Santa Maria. Trata-se de uma conversa interceptada durante a madrugada, em onda curta, e que dizia respeito a um ataque contra a Torre Eiffel, em Paris.

    As autoridades portuguesas foram alertadas e puseram-se em contacto com os seus homólogos franceses.

    Esta nova mensagem "não transtornou" - de acordo com o "Le Monde", que cita a polícia - os serviços de contra-espionagem franceses, uma vez que ela se junta a outras ameaças difundidas nos últimos dias em "sites" islamistas radicais, que pedem aos "irmãos" que ataquem Paris.

    Na Internet, os fóruns islamistas, clandestinos ou não, têm multiplicado mensagens anti-francesas. Uma mensagem, difundida no dia 3 de Janeiro em língua árabe, projectava "pôr um fim à continuação das ambições do Presidente Sarkozy no Magrebe" e provocar "um desmoronamento da economia francesa a nível internacional".

    No dia 5 de Janeiro, um centro americano de vigilância das comunicações entre elementos da rede terrorista de Osama bin Laden sublinhou que estavam a ser emitidas ameaças "contra Paris e contra o presidente da Câmara, Bertrand Delanoe", com o objectivo de derrotar politicamente o Presidente Nicolas Sarkozy. Nessas ameaças, para além de se falar da Torre Eiffel, falava-se igualmente de outros lugares "populares e de alto valor económico", como os Campos Elísios, o aeroporto de Roissy-Charles-de-Gaulle e o bairro de La Défense.

    Ainda de acordo com o "Le Monde", estas ameaças estão a ser levadas a sério pelas autoridades, tanto mais que elas acontecem depois da execução, a 24 de Dezembro, de quatro turistas franceses na Mauritânia por um grupo salafita. Este ataque, seguido de ameaças explícitas contra interesses franceses no norte de África, levou o ministério francês dos Negócios Estrangeiros a pedir, pela primeira vez desde a sua criação, há 30 anos, a anulação do Rali Lisboa-Dakar.

    Paris encontra-se há já algum tempo em alerta vermelho.

     


    Às vezes dá saudade!

     
     
     
    da nossa Terra!